A luta contra o aterro sanitário em Simões Filho ganha força e estratégia

A mobilização contra o Aterro Sanitário CTVR Metropolitano, localizado em Simões Filho e operado pela empresa Recycle Waste Energy Ltda. (antiga Naturalle), acaba de subir de nível. Um grupo articulado, com estratégia sólida e influência política crescente, vem chamando atenção em toda a Bahia.

Essa frente de resistência tem mostrado preparo e ações pontuais que podem levar, em pouco tempo, à interrupção definitiva das atividades do aterro. O caso já envolve lideranças locais, estaduais e até mesmo o olhar atento da Justiça.

Escândalos e bastidores políticos

O aterro não é apenas um problema ambiental. Ele se transformou em um escândalo político.
• Um dos sócios é filho de ex-governador da Bahia, com laços próximos a ACM Neto, ex-prefeito de Salvador.
• Outro sócio é o famoso “rei do lixo”, já preso pela Polícia Federal em esquemas de corrupção ligados à coleta de resíduos.

Essas conexões revelam a rede de poder e influência que tem mantido o aterro em funcionamento, mesmo diante de denúncias graves.

Operando acima do permitido

O licenciamento ambiental do aterro foi concedido com a condição de operar abaixo de 500 toneladas por dia – uma manobra que dispensou o EIA/RIMA (Estudo de Impacto Ambiental).

Na prática, porém, a realidade é outra: quase 1.000 toneladas de lixo chegam diariamente ao local, o dobro do permitido. Isso significa fraude no licenciamento e crime ambiental em curso.

Risco de colapso ambiental

Localizado sobre o Aquífero São Sebastião, fonte essencial para o abastecimento de água da região metropolitana de Salvador, o aterro representa uma bomba-relógio ambiental.

O risco de contaminação do lençol freático pelo chorume ameaça não apenas Simões Filho, mas também Salvador, Lauro de Freitas, Camaçari, Dias D’Ávila e cidades vizinhas.

Além disso, o tráfego pesado de caminhões e carretas que chegam ao aterro diariamente agrava a poluição, aumenta os congestionamentos e compromete a qualidade de vida das comunidades próximas.

União de forças pela interdição

Se antes a luta parecia isolada, agora ganhou união e estratégia. Lideranças comunitárias, vereadores, parlamentares estaduais e até organizações civis estão convergindo para dar um basta.

A pressão já chegou ao Ministério Público, órgãos ambientais, Câmara de Simões Filho e Assembleia Legislativa da Bahia. A expectativa é de que, muito em breve, medidas duras sejam adotadas para encerrar de vez a operação.

Um símbolo de resistência

O aterro sanitário de Simões Filho se tornou o símbolo de como interesses políticos e empresariais podem se sobrepor à saúde pública e ao meio ambiente. Mas também pode virar um marco de vitória da sociedade civil organizada, que exige transparência, respeito às leis e proteção da água que abastece milhões de baianos.

O recado está dado: o fim do aterro está cada vez mais próximo.